NOTA DE ENTRADA

Este foi o espaço na Blogosfera da Revista URGRUND, que hoje termina.

O primeiro e único número impresso da URGRUND, fica disponível (link na imagem):

A todos os que  nos encontraram, ficam as nossas saudações.

A URGRUND foi um veículo de comunicação de um pensamento que
se afirmou da TRADIÇÃO [ver EDITORIAL], e continuará pela acção dos autores em outras sedes.

Comentários continuam a ser bem-vindas para urgrund@oninet.pt


Filipe Cardoso desafiou Flávio Gonçalves, colaborador da revista libertária Revolução, para uma leitura/análise e póstuma discussão, capítulo a capítulo, com base nos contrastes entre os seus ideais, da obra História do Anarquismo de Jean Préposiet editada em Portugal em Setembro.2007 pelas Edições 70.
As correntes de pensamento libertárias cruzam-se ou opõem-se às correntes de pensamento tradicional? Uma discussão a acompanhar em http://historiadoanarquismo.blogspot.com/

D. AFONSO HENRIQUES: Irmão Confrade da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão *

Por Filipe Miguel Dias Cardoso

* Este artigo foi escrito em Janeiro-Maio de 2004 e integrou o primeiro número impresso da Revista URGRUND no Janus Caeli de 2005, há data eram inexistentes: quer uma credível biografia do Rei, como a que surgiu em Julho de 2007, por José Mattoso [D.Afonso Henriques, Colecção de Biografias ‘Reis de Portugal’ (Coord. Roberto Carneiro), Temas e Debates.]; quer qualquer título que estabelecesse idêntica relação, como foi o caso do romance histórico A Comenda Secreta de  Maria João Martins Pardal e Ezequiel Passos Marinho, Ésquilo Edições e Multimédia,, 2005] .


INTRODUÇÃO

figura de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, fundador da nossa nacionalidade, sempre nos fascinou. O facto da Nação ter prestado, ao longo dos nove séculos da sua existência tão pouco cuidado a tão grandioso vulto, traz-nos intrigados. Não nos referimos a homenagem vãs ou a referências patrioteiras mas ao justo reconhecimento e perpetuação da acção deste nosso Rex.

Nas artes plásticas não há obra que consideremos à sua altura, mesmo a tão recorrente escultura de Soares dos Reis, patente em Guimarães, não que faz jus; nas artes de palco e do espectáculo nada; na música idem,. Na Literatura temos referências em capítulos da História de Portugal, contudo de visão positivista e materialista excessivamente redutoras do seu papel. Queremos contudo deixar homenagem às referências maiores dos Lusíadas – épico da história portuguesa, e na Mensagem – épico da mística histórica portuguesa; às minguas crónicas históricas que nos chegam: Chronica Gothorum (Crónica dos Godos); Chronica del Rey D.Affonso Henriques de Duarte Galvão  1; Crónica do Conde D. Henrique, D. Teresa e Infante D. Afonso e Monarchia Lusitana de frei António Brandão 2; às actas dos louváveis Congressos Históricos de Guimarães; e a algumas (poucas) monografias sobre o tema ou que o afloram e que nos serviram de precioso apoio.

Aquele que foi escolhido divinamente para empreender Portugal, não se impondo, mas sendo aceite pelos seus pares provadamente por astúcia, inteligência, força de guerreiro e exemplo de acção, encabeçou aquilo a que a sua gente encarou como um projecto nacional, hoje longe de estar alcançado. Ler mais

EUROPA: História de um nome

Por GUSTAVO EDUARDO G.P. PORTOCARRERO

Muito se fala actualmente de Europa, mas, qual a origem desse nome? Quais os significados que assumiu ao longo da história? Um livro que procura dar resposta a estas questões é A Europa. Génese de uma Civilização, de Lucien Febvre e publicado pela Teorema. Vejamos nas próximas linhas algumas das principais ideias desse autor sobre a génese e evolução do conceito de Europa.

A Europa começou inicialmente por ser um termo geográfico, com origem nos antigos gregos. Estes consideravam que o mundo tinha a forma de uma esfera, sendo que as massas de terra deveriam estar dispostas de forma simétrica. Assim conceberam inicialmente duas grandes massas: para oriente da Grécia ficava a Ásia – que significa a terra do sol nascente – enquanto que para o ocidente ficava a Europa – a terra do sol poente. A Líbia (África) – a terra do vento de sudoeste, o chuvoso – foi mais tarde acrescentada, inicialmente unida à Ásia, por se julgar que esta tinha uma extensão inferior à Europa, permitindo assim que as duas grandes massas se equilibrassem. E assim nasceu a Europa.

Durante muito tempo, a Europa foi apenas um termo geográfico tanto para os gregos como para os romanos. As civilizações destes dois povos que tanto viriam a influenciar a civilização europeia, estavam centradas no Mediterrâneo, sendo a Europa apenas uma das suas margens. O grande acontecimento que viria a individualizar a Europa foi a invasão muçulmana das terras mediterrânicas no século VII. Desde o século IV que o o mundo mediterrânico se tinha tornado o espaço da cristandade com a conversão do império romano a esta religião. No entanto, esta unidade foi destruída com a conquista e absorção da margem africana e asiática do Mediterrâneo pelo Islão. Somente no espaço europeu, a cristandade conseguiu resistir. Mais, não só resistiu como ainda conseguiu, nos séculos seguintes, converter e integrar no seu espaço os povos pagãos germânicos e eslavos que viviam no norte do continente. Desta forma, o espaço geográfico da Europa passou a coincidir, grosso modo, com o espaço cultural da cristandade, tendo esta gerado uma influência profunda em todos os povos integrados nesse espaço. Note-se, no entanto, que todo esse espaço cultural era designado pelos seus habitantes de Cristandade e nunca por Europa. Ler mais

O ESTADO ESOTÉRICO DA EUROPA: Um esboço ensaístico sobre o Tratado de Lisboa – seu sentido aparente e seu sentido oculto.

Por Filipe Miguel Dias Cardoso



O voi ch’avete li’intelletti sani,

mirate la dottrina che’ s’asconde

sotto ’l velame de li versi strani. 1

Divina Commedia, Inferno, IX, 61-63.


Átrio

Tal como a Divina Commedia – A monumental Obra civilizacional, composta por Dante Alighieri em terza rima no apogeu da Idade Média, que oculta um quarto sentido doutrinal “de que o sentido exterior e aparente é apenas um véu, e que deve ser procurado por aqueles que são capazes de o penetrar.” 2; também o actual estado da Europa, em particular as vicissitudes do Tratado de Lisboa, ocultará igual sentido metafísico, no já longo e doloroso processo da ultimação e adopção de um tratado de direito com o fim último de se transformar num Corpo Uno, qual experiência alquímica, qual processo iniciático. Ler mais

CRISTANDADE OCIDENTAL E CRISTANDADE ORDODOXA

Por GUSTAVO EDUARDO G.P. PORTOCARRERO

Um tópico explorado por Philippe Nemo no livro O que é o Ocidente? (Edições 70) é a diferença entre a Cristandade Ocidental (nomeadamente Católica e Protestante) e a Cristandade Ortodoxa. Ambas as Cristandades partilham da mesma ética bíblica e ambas procuram alcançar o Céu.

O que as distingue então? A maneira como se chega ao Céu.

[Imagem Icon - Á esquerda ou a Ocidente está São Pedro e, à direita ou a Leste encontra-se São Paulo.]

No Ocidente, a partir do final do século XI, operou-se uma mudança revolucionária relativamente ao que os fiéis deviam fazer para alcançar a salvação. Como a Parusia, ou Segunda Vinda de Cristo, nunca mais ocorria, a Igreja Católica assumiu que tal devia-se ao facto de Cristo achar que o mundo se tinha tornado um lugar demasiado mau para que pensasse aqui permanecer. Desta situação apenas os homens eram responsáveis. Como tal, cabia-lhes transformar o mundo para o tornar digno da vinda de Cristo. Ler mais

O QUE É O OCIDENTE?

Por GUSTAVO EDUARDO G.P. PORTOCARRERO


Numa revista como a URGRUND, dedicada à cultura europeia, não podia deixar de fazer referência ao livro O que é o Ocidente? de Philippe Nemo, recentemente publicado pelas Edições 70.

Segundo o autor, o “Ocidente” é, actualmente, um conceito mais sentido que pensado; ora tendo em conta as crises geopolíticas do início do século XXI, as quais têm abalado uma realidade que os Ocidentais sentem ser essencial à sua existência mas acerca da qual ainda possuem uma consciência pouco clara, o autor entendeu torná-la mais reconhecível.

O autor entende o Ocidente não tanto como um povo ou um conjunto de valores que surgiram num certo período, tendo-se mantidos inalteráveis desde então, mas, ao invés, como um processo, o qual, até atingir o seu estádio actual (que abrange os estados da Europa Ocidental e da América do Norte), passou sobretudo por cinco etapas: Ler mais

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