Thursday, January 10, 2008

O FERRO E OS FERREIROS: Carácter Sagrado e Imaterial

O Ferro: Dávida dos Deuses

O ferro é um metal duro e ao mesmo tempo nobre. Tem actualmente uma ampla utilização quotidiana, por exemplo, nas actividades agrícolas de práticas ancestrais, em ferramentas de trabalho como a enxada e a charrua, é também usado na construção e decoração de edifícios, entre outras.
Na morte surge na ornamentação da campa, onde por vezes se coloca o simbolismo da cruz e a própria representação de Cristo. Na guerra o ferro e outros metais servem igualmente sobre a forma de armas para a defesa contra o inimigo.1
O ferro também é utilizado num contexto mais sagrado, neste caso no templo, onde se exerce o culto religioso, onde o Homem medita e reza.
O ferro tem, portanto, um sentido religioso. Metal celeste (meteoro), foi considerado uma dádiva generosa dos Deuses, na época do domínio do bronze. Esta concepção aparece em várias culturas, por exemplo na egípcia, com referências no texto sagrado de Abu Simbel (séc. XII a.C.).
Acerca da crença da origem celestial do ferro, já os povos ‘primitivos’ trabalhavam o ferro meteórico muito antes de saberem utilizar os minerais de ferro encontrados à superfície da terra. Antes de descobrirem a fusão, os povos pré-históricos tratavam esses materiais como pedras, ou seja, considerando-os como materiais brutos para o fabrico de utensílios líticos.

Quando Cortez (séc. XV) perguntou aos chefes Astecas como obtinham as suas facas, eles mostraram-lhe o céu. Como os Maias do Iucatão e os Incas do Perú, os Astecas utilizavam unicamente o ferro meteórico, valorizando-o mais que o ouro. Ignoravam igualmente a fusão dos metais.
Os povos da antiguidade oriental compartilharam muito provável-mente ideias análogas. A palavra sumeria An-bar, o vocábulo mais antigo que designa o ferro, é constituída pelos sinos pictográficos ‘céu’+‘fogo’, que é traduzido geralmente por ‘metal celeste’ ou ‘metal estrela’.
Durante muito tempo também os Egípcios apenas conheceram o ferro meteórico. O mesmo se passa com os Hititas: um texto do séc. XIV afirma que os reis Hititas utilizavam o ‘ferro negro do céu’.

O Triunfo do Ferro

No entanto, a utilização dos meteoritos não estava em condições de promover uma ‘Idade do Ferro’ propriamente dita. Enquanto durou, o metal manteve-se raro (sendo tão precioso como o ouro), e o seu uso foi antes de tudo, ritual. Foi necessária a descoberta da fusão dos minerais para inaugurar uma nova etapa na vida da humanidade – a Idade do Metal. Isto é especialmente verdadeiro no que diz respeito ao ferro. Uma vez descoberto, ou aprendido o segredo de fundir a magnetite ou a hematite, não foi difícil conseguir grandes quantidades de metal, pois as jazidas eram muito ricas e de exploração fácil.
Só após a descoberta dos fornos e sobretudo após o aperfeiçoamento da técnica de ‘endurecimento’ do metal aquecido ao rubro é que o ferro atingiu a sua posição predominante. Pode-se apontar para 1200-1000 a.C., nas montanhas da Arménia, os primórdios desta metalurgia à escala industrial. Foi então que o segredo da fusão se propagou através do Próximo Oriente, do Mediterrâneo e da Europa Central.
Até muito tarde, o trabalho do ferro manteve-se fiel aos modelos e estilos da Idade do Bronze (tal como a Idade do Bronze prolongou primeiro a morfologia estilística da Idade da Pedra). O ferro aparece sobre a forma de ornamentos, amuletos e estatuetas. E conservou durante muito tempo o seu valor sagrado, que sobrevive aliás entre muitos ‘primitivos’ actuais.
Analisando os simbolismos e os complexos mágico-religiosos, pode-se concluir que antes de se impor na História militar e geopolítica da Humanidade, a ‘Idade do Ferro’ deu origem a um grande número de ritos, mitos e símbolos que se reflectiram na História espiritual da Humanidade.
O aparecimento tardio do ferro, seguido do seu triunfo industrial, influenciou profundamente os ritos e os símbolos metalúrgicos. Toda uma série de tabus ou de utilizações mágicas do ferro derivam da sua vitória e do facto de ter suplantado o bronze e o cobre, que representaram outras idades e outras mitologias.
Segundo Mircea Elíade 2 quer se julgue ter caído da abobada celeste, ou ter sido extraído das entranhas da terra, o ferro está carregado de potência sagrada. O autor cita mesmo o exemplo dos reis Malaios guardarem uma ‘barra sagrada de ferro’, que fazia parte das suas regalias, sendo objecto de uma veneração extraordinária a par de um terror supersticioso. De acordo com Elíade, factos como este não se tratam de simples ‘fetichismo’, da adoração de um objecto per si, de superstição, mas antes de respeito sagrado em relação a um objecto estranho, que não pertence ao universo familiar, que vem de algures e que é portanto um sinal do ‘Além’, uma imagem aproximativa da transcendência.
O ferro conserva ainda um extraordinário prestígio mágico-religioso, mesmo entre os povos que possuem uma História cultural bastante avançada e complexa. Plínio escrevia que o ferro é eficaz contra os noxia medicamentam e também adversus nocturnas limphationes 3.

Em 1907, Goldzinger acumulava já uma quantidade de documentos respeitantes ao uso do ferro contra os demónios. Vinte anos depois Seligmann aumentou em muito o número de referências. No nordeste da Europa, os objectos de ferro protegiam as colheitas das intempéries, dos sortilégios e do mau olhado.
Verificamos o prestígio da mais recente das ‘Idades do Metal’ – a ‘Idade do Ferro’ vitorioso, cuja mitologia, em grande parte submersa, sobrevive ainda em costumes, tabus e superstições muitas vezes insuspeitos. O ferro conserva o seu carácter ambivalente: pode encarnar igualmente o espírito diabólico ou divino. Em muitos locais, recorda-se obscuramente que o ferro representa não só a vitória da civilização (ou seja da agricultura), mas também da guerra.

O Ferreiro: Senhor do Fogo

O ferreiro era acima de tudo um trabalhador do ferro com uma condição de nómada, porque ele se deslocava permanentemente em busca do metal bruto e do trabalho, colocando-o em contacto com populações diferentes. Assim o ferreiro era o principal agente de difusão de mitologias, de ritos e dos mistérios metalúrgicos.
As ferramentas do ferreiro participam igualmente da sacralidade. Assim o próprio fole possui o seu simbolismo, mantendo um estreito relacionamento simbólico como sopro; desempenha no Taoísmo o papel de símbolo das relações entre o Céu e Terra, tendo o Céu como tampa e a Terra como fundo.4
A bigorna também possui um simbolismo; interpretada frequentemente como a contrapartida feminina do martelo, que é visto como activo e masculino. A bigorna também aparece como atributo da valentia, uma das virtudes cardeais.5
O Martelo-ferramenta, originalmente arma: simboliza, por essa razão, o poder e a força. É geralmente relacionado com o trovão, sendo por isso, na mitologia germânica, um atributo de Thör, deus do trovão. Na Antiguidade, o martelo era o utensílio de Hefaístos (Vulcano), deus do fogo e da forja. Em algumas culturas, são conhecidos os martelos ritualmente forjados a que se atribuía um poder mágico de protecção contra o mal. No Norte da Europa, inúmeros martelos figuram, por exemplo, nas pedras funerárias; trata-se talvez de um sinal com a função de defender o repouso do defunto contra influências malignas. Eventualmente, encontram-se também martelos na qualidade de símbolos disfarçados de cruz. Na Franco-maçonaria, é um símbolo da vontade orientada pela força da razão. No mundo jurídico, o martelo possui um significado simbólico e obrigatório nos leilões e em outros negócios. Após a morte do Papa, bate-se três vezes com um martelo de ouro nas paredes do quarto mortuário, proclamando-se assim o facto oficialmente.6

O martelo, o fole e a bigorna revelam-se animados e maravilhosos. Julgava-se poder operar pela sua própria força mágico-religiosa, sem ajuda do ferreiro. Elíade cita-nos o exemplo do ferreiro do Togo que fala, a propósito das suas ferramentas, do martelo e sua família. Em Angola, o Martelo é venerado, porque ele forja os instrumentos necessários à agricultura.
Os Ogowe, não conheciam o ferro e portanto não o trabalhavam, veneravam o fole dos ferreiros das tribos vizinhas. Estas crenças não se detêm apenas no poder sagrado dos metais, estendem-se á magia das ferramentas. A arte de fabricar ferramentas é de essência sobre-humana, quer seja divina ou demoníaca (o ferreiro também forja armas mortíferas). O martelo, sucessor do machado dos tempos líticos, tornou-se o símbolo dos deuses fortes, os deuses da tempestade. Assim pode-se compreender a razão pela qual os deuses da tempestade e da fecundidade agrária são por vezes imaginados como deuses ferreiros.
Todavia os próprios metais possuem o seu simbolismo: O Bronze, mais acessível à imaginação do fundidor e do artista, era o valor feminino da metalurgia, devido a tantos cuidados e melindres que exigia; o Ferro, por contraste duro, resistente, bárbaro, apenas cedia ao fogo e ao martelo, tomava a forma sempre mais simples que o ferreiro pretendia, e só de novo ao fogo dobrava e redobrava para ser deposto nas sepulturas do guerreiro, que usara dele as armas indomáveis. Era o elemento másculo.7
O ferreiro, assim como o alquimista, bem como o oleiro, era um ‘Senhor do Fogo’. É através do fogo que ele opera a passagem do elemento de um estado bruto até ao estado de obra final.

Hefaístos é considerado pela mitologia clássica como deus do Fogo, protector dos ferreiros e dos trabalhadores de todos os metais. Era ainda o deus da metalurgia e deus da saúde, por se aplicar o ferro ao rubro no tratamento de todas as feridas. Eram os coxos que trabalhavam o ferro nas forjas, assim Hefaístos era representado coxo, de camisa, com tenazes nas mãos e gorro na cabeça. Os próprios ciclopes eram considerados ferreiros.
Na mitologia hagiográfica cristã aparece-nos S.Clemente como advogado dos ferreiros e do Fogo. Mas também S. Jorge, como patrono dos ferreiros.8

Segundo Augusto P. Lima 9, Vulcano também seria considerado como deus dos ferreiros. Assim no fim do mês de Outubro, realizavam os pagãos festas ruidosas, chamadas ‘Chalius?’, consagradas ao deus Vulcano pelos ferreiros, caldeireiros, e outros artífices deste género.
Ainda existem reminiscências nas tradições populares relativas aos ferreiros, pois as cerimónias do paganismo perduram muitas vezes nas procissões, nas festas e nos arraiais, apesar de muitas vezes terem sido aplicadas medidas proibitivas pelos poderes eclesiásticos.

A Forja

«A forja é o lugar onde trabalha o ferreiro… está instalada numa casa térrea, longe da cozinha. Sobre uma pequena construção de pedra fica a fornalha, onde se coloca o carvão ardido. Dum lado leva uma pedra vertical, com um buraco no fundo, onde entra e apoia o bico do fole. Este, de grande proporções, é de couro nos lados e, em cima, debaixo e no meio, de madeira, accionado por meio de uma alavanca.

O ferro só se pode trabalhar em quente, para lhe dar as formas pretendidas. Por isso, o ferreiro tem uma gama variadíssima de ferramentas.
Os utensílios usados pelo ferreiro, são, de certo modo, rudimentares. Efectivamente, entre eles, conta-se, uma pia com água para temperar o ferro.
A cinza ou pó de carvão e de ferro são bons para as amatas dos burros. A bigorna, cavalete ou çafra, está no chão ou sobre um tronco de pau. O malho é o que bate no ferro, podendo bater duas pessoas alternadamente, por vezes o homem e a mulher, um filho e ajudante, ou o dono da ferramenta.
Encabados em ‘bergueiros’ de carvalho, rachados numa ponta e apertados por argolas ou arames, há o calcador, a talhadeira, o ponteiro, respectivamente para calcar, cortar, furar sobre a çafra.
Os tufos são tacos de ferro, para fazer o olho do enchadão, da sachola, da machada, etc. A sufrideira ajuda a dar as formas ao ferro. A craveira para fazer as cabeças dos cravos e pregos. A rosca faz as roscas e os parafusos. O berbequim para furar o ferro, a serra de aço e ferro, as tenazes de vários tamanhos e formas.
Têm alguns ferreiros, a forma de pedra, para fazer colheres de lançar a sopa, e o rebolo, para rebolar e afiar a ferramenta. É uma pedra redonda, como uma mó pequena de moinho, apoiada no centro e de cada lado por um ferro, que dum lado termina em manivela accionada pelo pé. Sobre o rebolo está um cornato a pingar água, enquanto se rebola a ferramenta. Quanto mais se bate no ferro, mais cresce.
A maior ciência desta arte é caldear o ferro, que antes se fazia com areia e carvão e hoje é com pasta – a calda. Ao ter o calor suficiente é necessário bater rapidamente. A têmpera da ferramenta é de muita perícia. Ao sair do lume, mete-se na pia de pedra e depois, com o chifre dum carneiro, unta-se a ferramenta, para dar melhor têmpera, amaciar e não estalar o ferro».
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Património Imaterial: Os Ferreiros em Penafiel

Os artífices do ferro – os Ferreiros como todos os artesãos são uma classe muito peculiar, com um universo muito próprio. Com o seu património sobretudo imaterial, como as práticas, conhecimentos e aptidões, depois expresses em arte performativa, ritual e festiva – a sua herança cultural de classe transmitida de geração em geração.
Um exemplo muito concreto é aquele que se verifica por ocasião das Festas do Corpo de Deus em Penafiel no Norte de Portugal, com o Baile dos Ferreiros ou das Espadas. O baile dos Ferreiros assim designado, era apresentado pelos artífices desta especialidade, tanto nas referidas festas, como em outras de carácter nacional.

Durante a procissão de Corpus Christi em Penafiel realiza-se uma saída ao meio-dia desde os Paços do Concelho até à Igreja Matriz, onde o ofício dos ferreiros é (era) responsável da guarda de honra em duas filas à figura de S. Jorge a cavalo, realizando a ‘Dança das Espadas’, esta “Santa dança, que é realmente muito antiga e que o povo diz ser a única que pode entrar na igreja.” 11
Abílio Miranda 12 estudou este assunto em 1940, e citando os Tombos das Festas do Corpo de Deus (seiscentista - 1657 e setecentista – 1705), descreve:
“A dança das Espadas constará de quinze homens todos bem aparatados e todos com seus panetes brancos na cabeça e suas capelas de flores como sempre foi costume; esta dança dará os ferreiros e serralheiros, e entre todos escolherão quinze homens para dançarem dos melhores e não dançando alguns deles pagarão dois mil reis de cadeia, e o juiz que for da dita dança, a solicitará, e porá na rua mui perfeita sob a mesma pena de dois mil reis.A dança dos ferreiros, com capelas de flores na cabeça e fitas nas costas com espadas, fazendo muitas evoluções investidas e retiradas, era uma dança guerreira animada pelo tambor e pela gaita de fole.” 13
Nas palavras de Ângelo Pimentel 14:
“O baile dos ferreiros era o primeiro. O mestre de calção vermelho, presidia ao acto, que era acompanhado pela caixa de rufo e pela gaita de foles, que tinha percorrido a cidade pela manhã que, nos melhores tempos, vinham expressamente da Galiza para as festas do Corpo de Deus de Penafiel.”
Segundo Teresa Soeiro 15:
“O baile dos ferreiros, era ainda o tradicional, com os homens vestidos de casaco e calção brancos, faixa vermelha enrolada à cintura. Só o mestre envergava calção e colete vermelho. Dançavam ao som da agita de foles e de tamboril, uma complexa coreografia. Eram os membros deste baile dos ferreiros que faziam, a guarda de honra à Câmara durante a procissão, sendo por isso a única dança que sempre a pode integrar, mesmo depois de todos os interditos contra a presença de invenções nos actos religiosos. Este baile tem de ser necessariamente organizado todos os anos.”

A organização dos ferreiros nos burgos europeus fazia-se por ruas desde a Idade Média, sendo esta uma classe forte e possidente. Esta importância era devido ao facto da necessidade destes artesãos por parte da sociedade rural mas também da citadina, anteriormente à revolução industrial do séc. XIX.

Verso cantado nos bailes (acompanhado de gaita de foles)16:
A nossa arte é um ferro
Com ele vimos dançar;
Vimos a esta cidade
Procurar que trabalhar

A nossa arte é um ferro
O salário p’ra ganhar:
Sem trabalharmos primeiro,
Ninguém pode trabalhar.

Nem o rei pode ser rei
Sem haver o tal ferreiro;
Com ferro se vence a guerra,
Co’ele se ganha dinheiro.

Em Penafiel, os oficiais ferreiros encontravam-se sediados na Rua do Carmo, era aí que antes da grande industrialização se fazia sentir e se trabalhava a chapa de vergalhão, batido na bigorna, e de noite para que melhor se distinguisse o rubro onde as pancadas teriam de cair certeiramente para não se cortar a chapa. O barulho seria ensurdecedor, sendo o trabalho dirigido pelo mestre com o martelinho, batendo no ponto onde seguidamente descia a roda dos malhos (cinco). Forjado assim o ferro em chapa fina, era esta cortada e sujeita a formas e moldes especiais, e, rematando o trabalho, passava a ser garantido pelos peritos escolhidos pela câmara para este fim.17

Conclusão: Á Atenção das Consciências

Todos os estudiosos desta questão apontam Penafiel como importante centro de produção, especificamente de candeias, utilizadas na iluminaria, até ao advento da electricidade e da afirmação da ‘Luz’. Com o fim da utilização das candeias no uso doméstico, regista-se o ‘agoniar’ dos ferreiros, e da arte e cultura que encerram.
O que queremos é que a herança e tradição dos ferreiros perdure nas gerações futuras. Esperemos que de quem responsável se deslumbre igual desejo.
Contudo o despertar para a consciência desta realidade tarda. A herança deste património imaterial 18 que se pretende transmitido, recriado e continuado, fortalecerá o sentido de identidade da classe e da comunidade. Bem como, a sua preservação promove, sustém e desenvolve a diversidade cultural tão procurada actualmente, numa clara resposta à ameaça da homogeneização cultural fruto da Globalização.

Corpus – Christi, 2006
Júlio Mendes Rodrigo


Notas:
1 Ferreira, J.A. Pinto. Os Metais. A Arte Popular em Portugal. Editorial Verbo, p. 175-205.
2 Mircea Elíade (1907-1986), nascido em Bucareste (Roménia), filósofo, actuou principalmente no campo da História das Religiões, sendo durante 30 anos Director de Departamento na Universidade de Chicago (EUA). A sua análise assumia a existência do Sagrado como objecto de trabalho na religiosidade humana.
Apoiamo-nos grandemente na edição portuguesa da Relógio D’Água [Lisboa, 1987] da sua obra O Ferro e os Ferreiros (Forgerons et Alchimiste).
3 Nat. Hist. XXXIV, 44.
4 Helder Lexicon. Symbole. Verlag. Freiburg: Herder, 1990.
5 Idem.
6 Idem.
7 Chaves, Luís. Arte nos Metais. Arte Portuguesa: Artes Decorativas. Lisboa, Vol. 1.
8 Lima, José Augusto Pires. Os Ferreiros. Estudos Etnográficos, Filológicos e Históricos. Junta Província do Douro Litoral. Porto, 5 (1950), p.19.
9 Lima, José Augusto Pires de. Obra citada, p.19 e segs.
10 Direcção Geral da Divulgação. Artes e tradições de Bragança. Lisboa: Terra Livre, 1979. [Descrição de como trabalhavam os ferreiros do distrito de Bragança.]
11 Miranda, Abílio. Origem das danças nas festas de Corpus – Christi. In Penha – Fidelis. Penafiel, 1(4), 1927, p. 66-71.
12 Abílio Miranda (1893-1962), figura fulcral da vida cultural de Penafiel, autodidacta, investigador bairrista, arqueólogo, etnógrafo e historiador, actividades que manteve a par com a gerência da Pharmacia Miranda. Foi o grande impulsionador da actividade museológica no concelho, sendo Conservador do Museu e a partir de 1947 Director da Biblioteca-Museu. Em 1929 foi Presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Penafiel, mais tarde foi Secretário e depois Presidente da Comissão Municipal da Cultura, bem como Vereador da Câmara Municipal e Delegado Concelhio da Junta Nacional de Educação. A sua actividade como autor foi extensa desde a colaboração em Jornais (O Penafidelense, O Marcoense, Jornal de Lousada), passando pela publicação da revista Penha-Fidelis, até aos fascículos culturais. Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, membro da Associação de Arqueólogos Portugueses e da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia, recebeu a título póstumo a ‘Medalha de Honra da Cidade e Concelho’.
13 Miranda, Abílio. O Baile dos Ferreiros de Penafiel e o dos Pauliteiros de Miranda. Boletim do Douro Litoral. Porto, 2 (1940), 1ª Série.
14 Pimentel, Ângelo. Penafiel Antiga. Penafiel, 1970, p. 25-60.
15 Soeiro, Teresa. Os dias grandes. In Cadernos do Museu. Museu Municipal de Penafiel, Penafiel, 6-7 (Dias Festivos: O Corpo de Deus em Penafiel), 2000-2001, p. 168.
A Prof.ª Dr.ª Teresa Soeiro é a actual Directora do Museu Municipal de Penafiel.
16 Miranda, Abílio. Origem das danças nas festas de Corpus – Christi. In Penha – Fidelis. Penafiel, 1 (4), 1927, p. 66-71.
17 Lima, José Augusto Pires de. Obra citada.
18 A Convenção para a Preservação do Património Imaterial (Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage) define património imaterial como as práticas, expressões, bem como conhecimentos ou aptidões, que as comunidades, grupos e nalguns casos indivíduos, reconhecem como parte da sua herança cultural. Tais como: expressões orais, incluindo a língua como veículo do património imaterial; artes performativas; práticas sociais, rituais e eventos festivos; e artesanato.

Posted by URGRUND at 15:07:12
Comments

2 Responses to “O FERRO E OS FERREIROS: Carácter Sagrado e Imaterial”

  1. Realmente tinha razão, o ritmo vale a pena pela qualidade dos textos.

    [NOTA DOS EDITORES: O Flávio tinha no passado criticado a míngua na actualização deste blog. Ficamos agora sensibilizados pela evolução na sua opinião.]

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